Antonio Peticov
A Espera
2018 · Tela (Óleo/Acrilico)
UM OLHAR SOBRE A OBRA
“A Espera”, de Antonio Peticov… o que dizer sobre este quadro?
Quando notei este quadro, ele me chamou a atenção, como outras obras do autor, principalmente pela aparente contradição entre um caos geometricamente perfeito. Há algo de bagunçado em seus quadros, mas, ao mesmo tempo, algo de “perfeito”. Digo, um alinhamento, formas geométricas sólidas, com linhas retas que aparentam uma rigidez, uma organização em meio a esta construção caótica com várias figuras.
Subitamente, chama a atenção, em meio a este caos, no qual é possível identificar figuras que aparentam realmente sair de uma pintura, a face de um homem, como que um holograma, mais especificamente a imagem de um homem que aparenta sair de uma antiga TV de tubo.
Aparenta que este homem observa um amontoado de tinta como que sentado. À sua frente, uma tela canvas projeta sobre ele uma luz, como se esta fosse uma televisão. Há algo nesta cena como se a televisão fosse quem pinta a tinta, e este amontoado de tinta aparenta estar em um cômodo caótico, como que ignorando sua realidade exterior e toda a sua bagunça, apenas focado em sua “televisão”.
A arte se torna o artista. Não é mais o artista quem vê a tinta no canvas, mas a tinta torna-se o artista, e este parece imóvel frente à televisão. Tal imagem me suscita um questionamento… será que a televisão é quem define o artista? Quais tintas ele tem ao seu alcance? Quais pinceladas ele pode realizar? Quais cores ele pode combinar? Será que tudo isso vem sendo definido pelo programa que é transmitido por este canvas ao qual ele assiste?
E será que não é assim na psicoterapia também? O mundo ao redor, do qual sou tanto ator quanto espectador, não define também, nem que parcialmente, aquilo que sou capaz de pôr em palavras? A forma, onde e quando expresso aquilo que sinto de mais profundo em meu ser? Afinal, se o artista toma emprestadas as cores e as tintas desta tela a que ele tanto assiste, nós não fazemos o mesmo com esta realidade social, cultural e linguística da qual somos tanto efeito quanto agente?
